Quando Max Emelianovich Verstappen saiu do carro após a sessão de qualificação do Sprint em Lusail International Circuit, na sexta-feira, 29 de novembro de 2025, ele não escondeu o desânimo. "Não foi bom desde a primeira volta. Um balanço realmente terrível, subviragem agressiva que virava sobreviragem em alta velocidade. Nada do que você quer para ir rápido." A frase, dita com a voz pesada de quem já viu tudo, resume o pesadelo técnico que o campeão holandês de quatro títulos enfrentou no circuito de 5,419 km ao norte de Doha. E o pior? Ele não estava só. Seu companheiro de equipe, o japonês Yuki Tsunoda, o superou pela primeira vez na carreira como parceiro — um choque para quem sempre dominou as classificações como um relógio suíço.
Um carro que não responde
O problema não foi um simples erro de ajuste. O Oracle Red Bull Racing RB21, carro que levou Verstappen a 15 vitórias em 2025, estava em crise. A sensação de "bouncing" — aquele efeito de salto descontrolado em curvas de alta, causado por instabilidade aerodinâmica — piorou drasticamente desde a última corrida em São Paulo. Verstappen relatou que, mesmo após mudanças no volante e na suspensão, o carro não apenas não melhorou: piorou. "Tentamos tudo. Nada funcionou. Ficamos presos em um ciclo que não dá para correr, muito menos lutar por posição." A situação ficou tão crítica que, na SQ3, ele saiu da pista e entrou no gravel — algo que só acontece quando o carro perde completamente o controle.Um Sprint que não foi de sobrevivência — foi de surpresa
No sábado, 30 de novembro, o Sprint Race Lusail International Circuit começou com um cenário inesperado. Oscar Piastri, o australiano de 24 anos da McLaren Racing, partiu da pole com um tempo que ninguém esperava — e manteve a liderança do início ao fim. Sua última volta foi marcada por um "snap" violento na curva 13, mas ele recuperou o carro como um piloto nato. Enquanto isso, Lando Norris, líder do campeonato com 24 pontos de vantagem sobre Piastri antes da corrida, errou na última curva, deixando a pole escapar e a vitória no Sprint para trás. Verstappen, que largou em sexto, subiu para quarto no início, mas logo perdeu ritmo. O mesmo problema de instabilidade que o afetou na qualificação voltou a atormentá-lo. A diferença para Norris, que começou a corrida em quinto, aumentou de um segundo para dois segundos em apenas nove voltas. "Não consigo pressionar. O carro não me dá confiança. É como tentar correr com os pés amarrados", disse ele após a corrida.As consequências no campeonato
O resultado do Sprint mudou o mapa do campeonato. Piastri reduziu a desvantagem para Norris de 24 para 22 pontos. Verstappen, que já estava atrás, agora está 25 pontos atrás do britânico — uma lacuna que, com apenas duas corridas restantes, começa a parecer insuperável. Mas o mais importante? Norris ainda pode garantir o título antes da última etapa em Abu Dhabi, se terminar em terceiro lugar nas próximas duas corridas: o Grande Prêmio do Catar Lusail International Circuit, em 1º de dezembro, e o Grande Prêmio da Abu Dhabi em 7 de dezembro.
Por que isso importa — e o que vem a seguir
A situação de Verstappen é mais do que um contratempo técnico. É um sinal de alerta para toda a Fórmula 1. Se o carro mais dominante da temporada começa a falhar em curvas de alta velocidade, isso pode indicar um problema sistêmico na aerodinâmica do RB21 — algo que pode afetar não só o desempenho, mas a segurança. A equipe já admitiu que está "revisando todos os dados de vento e suspensão" antes da corrida principal. Enquanto isso, Piastri, que nunca venceu um GP, está mais perto do título do que qualquer um imaginava — e Norris, que já foi considerado "o favorito", agora é o único que ainda tem o controle da situação. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Stake F1 Team Kick Sauber, terminou em 11º — um resultado sólido para o novato, mas que não altera o foco da corrida. O verdadeiro drama está entre os três primeiros da classificação. Verstappen, que já falou em "sobrevivência", agora precisa de um milagre técnico. Norris, que já pensa em título, precisa apenas de consistência. E Piastri? Ele está jogando com o fogo da história — e não tem nada a perder.As próximas 72 horas podem mudar tudo
Na corrida principal, domingo, 1º de dezembro, o grid será definido pelo resultado do Sprint — ou seja, Piastri larga na pole, Norris em quinto, Verstappen em quarto. Mas o que importa agora não é a posição de largada: é o ritmo. Se Verstappen não resolver o problema de instabilidade, ele pode cair para o meio do pelotão. Se Norris conseguir um pódio, ele aumenta a vantagem para 29 pontos — e a matemática se fecha. Se Piastri vencer, a briga vai para Abu Dhabi com um novo protagonista. E se o clima mudar? A temperatura em Doha caiu 8°C desde a qualificação. Isso pode afetar os pneus, a aerodinâmica, e talvez — quem sabe — dar uma chance a Verstappen.Frequently Asked Questions
Por que o carro de Verstappen está com problema de "bouncing"?
O "bouncing" ocorre quando o carro perde o controle aerodinâmico em curvas rápidas, fazendo-o saltar na pista. No RB21, isso se agravou após ajustes para a pista de Doha, que exige alta downforce. A equipe está revisando o chassi e os sistemas de suspensão, mas a solução não é imediata — e pode exigir mudanças estruturais antes da próxima corrida.
O que significa para Verstappen perder para Tsunoda pela primeira vez?
É um sinal de que o equilíbrio da equipe está mudando. Tsunoda, antes visto como o "número dois", está mais adaptado às condições atuais do carro. Isso pode pressionar Verstappen internamente e abrir espaço para que a Red Bull considere mudanças na hierarquia da equipe — algo que nunca aconteceu em sua era de domínio.
Norris ainda pode ganhar o título sem vencer nenhuma corrida?
Sim. Se ele terminar em terceiro lugar no Sprint (já feito), na corrida do Catar e na final em Abu Dhabi, ele somará 21 pontos nas três corridas. Mesmo que Verstappen vença as duas últimas e Piastri vença uma, Norris ainda terá vantagem de 14 pontos — suficiente para ser campeão sem vencer uma única corrida principal.
O Sprint Race ainda vale a pena na Fórmula 1?
Depende. Para equipes como McLaren e Sauber, é uma chance de pontuar e ganhar visibilidade. Para as líderes, como Red Bull, é um risco desnecessário — especialmente quando o carro está com problemas. A FIA está avaliando mudanças para 2026, e esse fim de semana pode acelerar essa decisão.
O que acontece se Verstappen não recuperar o ritmo em Abu Dhabi?
Ele pode terminar a temporada pela primeira vez desde 2020 sem vencer o campeonato — e sem vencer nenhuma corrida principal. Isso seria histórico: um piloto de quatro títulos, com 50 vitórias na carreira, encerrando uma temporada sem vencer. A pressão sobre a Red Bull e seu próprio legado aumentaria drasticamente.
Por que a pista de Doha é tão difícil para os carros de alta downforce?
A pista tem curvas de alta velocidade, como a curva 10 e 13, que exigem grande carga aerodinâmica, mas o asfalto é mais liso e menos abrasivo que em Mônaco ou Silverstone. Isso faz com que os pneus não aqueçam bem, reduzindo a aderência — e amplificando os efeitos de instabilidade aerodinâmica. Carros como o RB21, que dependem de downforce extremo, sofrem mais que os mais equilibrados.